O rebaixamento da nota de crédito de alguns países da Zona do Euro foi a notícia que balançou os mercados financeiros na primeira sexta-feira 13 de 2012. Um dia negro para o mercado? Nem tanto, a notícia foi dada após o fechamento dos mercados.
Explicando o rebaixamento da nota: a Standard & Poor's (S&P) - agência de classificação de risco de investimentos -, a partir das suas análises no défict público, na dívida dos países, ou seja, na saúde financeira do Estado de um país, conclui que o determinado título de dívida pública tem um determinado risco, expresso em notas (AAA, AA+, por exemplo). Nessa sexta, a S&P concluiu que a nota de alguns países importantes da Zona do Euro caiu, ou seja, é mais arriscado investir neles, comprar sua dívida.
Bom, e nós, simples mortais?
Para quem tem algum investimento pequeno na bolsa, Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA), não deve temer, não é hora de pânico. Provavelmente o mercado já precificou* esse rebaixamento de nota. Não que não vá cair mais, mas não me surpreenderá se o Ibovespa** começar caindo na segunda, dia 16 de janeiro, e inverter no final do dia, ou, se não for no mesmo dia, em dois ou três dias. É a minha aposta, mas os cavalos estão ariscos e eu posso cair do meu!
Quem não tem investimento em bolsa de valores ou algum outro tipo de investimento no mercado financeiro, realmente não tem com o que se preocupar. A taxa de juros que pagampos ao banco não deverá subir em função desse rebaixamento, muito menos o preço do pão nosso de cada dia.
Sim, mas se nem a taxa de juros e nem o feijão vão aumentar, em que pode nos afetar esse rebaixamento de nota?
Com a nota de crédito menor fica mais caro tomar empréstimo - quem tem nome no SPC ou SERASA sabe o que é isso, até tem gente que empresta, mas cobra os olhos da cara! Os países que tiveram as suas notas rebaixadas não deram o calote necessário para ir para o SPC, mas pagarão mais caro pelas suas dívidas. Pagando mais pelas dívidas sobra menos dinheiro público para movimentar a economia interna com investimento estatal, diminuindo o crescimento, aumentando ainda mais o desemprego, diminuindo o consumo interno, diminuindo a arrecadação de impostos, e diminuindo a receita sobra menos dinheiro público para movimentar a economia interna... círculo vicioso.
Esse círculo vicioso, por sua vez, afeta diversos balanços comerciais entre vários países, inclusive o nosso Brasil, que poderá ter exportações diminuídas, dimuindo postos de trabalho por aqui. Vale ressaltar que não é o simples rebaixamento da nota de crédito que desencadeia tudo isso, o rebaixamento é mais um fato que compõe um cenário um pouco mais complexo.
Compliquei?
*Precificar: ajustar o preço de ativos (ações de empresas, por exemplo).
**Ibovespa: índice calculado a partir de um conjunto de ações negociadas na bolsa de valores de São Paulo.
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