domingo, 17 de junho de 2012

Eleições na Grécia e Brasil

Sim, as eleições na Grécia podem nos afetar; vamos às explicações: os dois maiores partidos que disputaram as eleições de hoje, dia 17 de junho, pensam de forma bem diferente em relação à "ajuda" do FMI (Fundo Monetário Internacional) e às imposições que eles fazem quando emprestam. 

Num passado não tão distante, nós, Brasil, tínhamos uma dívida com o FMI. O Fundo limitava os gastos públicos do Brasil, o que diminuía a capacidade de investimento estatal até em obras públicas. Essa limitação desestimulava uma economia já fragilizada e só piorava as coisas. Olhando assim, parece que o FMI é um bicho papão; entretanto, eles querem garantia de que não estão financiando a farra do dinheiro público mundo afora. 

Quem jogou Banco Imobiliário sabe que tem uma hora em que o dinheiro acaba e quem tem mais ganha. Bom, não dá pra fazer isso com um país... então vem uma organização internacional que reúne dinheiro de várias nações ricas (estamos entre elas agora!) e empresta a esses países. Mas se nada mudar, as políticas continuarem as mesmas e a gastança pública continuar, não há motivo para o futuro ser diferente e o país voltará a pedir a ajuda dessa organização pelos mesmos motivos - por isso, as regras são tão rígidas.

Os dois partidos pensam da seguinte forma, resumidamente:

1) temos que renegociar a dívida, quem sabe até não pagá-la, se preciso for, saímos da Zona do Euro - parece e é um discurso de esquerda;
2) temos que nos manter na Zona do Euro e vamos conseguir isso economizando e mantendo uma política de austeridade - se estivermos no bloco a nossa vida será mais tranquila.

Pelo jeito, o segundo discurso, do Partido Nova Democracia (conservador), ganhou - eles garantiram a maior votação e a provável permanência da Grécia na Zona do Euro. A saída dos gregos poderia causar a moratória do país e evidenciaria, ainda mais, a fragilidade da Zona, desencadeando a quebra de países do Bloco: Itália e Espanha, principalmente. A vitória do partido conservador pode ter evitado uma corrida financeira internacional. Grandes fundos de investimento colocariam suas reservas num colchão bem quentinho, perto dos seus olhos e longe de países emergentes, como o nosso Brasil.

Com os Dólares retornando aos colchões dos grandes fundos - e saindo do mercado, haveria um grande desequilíbrio cambial e a consequente desvalorização do Real, mas isso não seria a pior parte. Com a fuga dos Dólares, haveria muita dificuldade para os financiamentos da dívida pública e investimentos privados seriam afetados fortemente - os empresário não abrem a carteira em tempos de crise. O mercado internacional poderia ver não um desaquecimento, mas uma nova era glacial, causando quedas e mais quedas nas exportações, mais desequilíbrio e Real mais desvalorizado...

Abraço,
Bruno Caldas

domingo, 15 de janeiro de 2012

Países da zona do Euro têm a nota de crédito rebaixada...e nós com isso?

O rebaixamento da nota de crédito de alguns países da Zona do Euro foi a notícia que balançou os mercados financeiros na primeira sexta-feira 13 de 2012. Um dia negro para o mercado? Nem tanto, a notícia foi dada após o fechamento dos mercados.

Explicando o rebaixamento da nota: a Standard & Poor's (S&P) - agência de classificação de risco de investimentos -, a partir das suas análises no défict público, na dívida dos países, ou seja, na saúde financeira do Estado de um país, conclui que o determinado título de dívida pública tem um determinado risco, expresso em notas (AAA, AA+, por exemplo). Nessa sexta, a S&P concluiu que a nota de alguns países importantes da Zona do Euro caiu, ou seja, é mais arriscado investir neles, comprar sua dívida.

Bom, e nós, simples mortais?

Para quem tem algum investimento pequeno na bolsa, Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA), não deve temer, não é hora de pânico. Provavelmente o mercado já precificou* esse rebaixamento de nota. Não que não vá cair mais, mas não me surpreenderá se o Ibovespa** começar caindo na segunda, dia 16 de janeiro, e inverter no final do dia, ou, se não for no mesmo dia, em dois ou três dias. É a minha aposta, mas os cavalos estão ariscos e eu posso cair do meu!

Quem não tem investimento em bolsa de valores ou algum outro tipo de investimento no mercado financeiro, realmente não tem com o que se preocupar. A taxa de juros que pagampos ao banco não deverá subir em função desse rebaixamento, muito menos o preço do pão nosso de cada dia.

Sim, mas se nem a taxa de juros e nem o feijão vão aumentar, em que pode nos afetar esse rebaixamento de nota?

Com a nota de crédito menor fica mais caro tomar empréstimo - quem tem nome no SPC ou SERASA sabe o que é isso, até tem gente que empresta, mas cobra os olhos da cara! Os países que tiveram as suas notas rebaixadas não deram o calote necessário para ir para o SPC, mas pagarão mais caro pelas suas dívidas. Pagando mais pelas dívidas sobra menos dinheiro público para movimentar a economia interna com investimento estatal, diminuindo o crescimento, aumentando ainda mais o desemprego, diminuindo o consumo interno, diminuindo a arrecadação de impostos, e diminuindo a receita sobra menos dinheiro público para movimentar a economia interna... círculo vicioso.

Esse círculo vicioso, por sua vez, afeta diversos balanços comerciais entre vários países, inclusive o nosso Brasil, que poderá ter exportações diminuídas, dimuindo postos de trabalho por aqui. Vale ressaltar que não é o simples rebaixamento da nota de crédito que desencadeia tudo isso, o rebaixamento é mais um fato que compõe um cenário um pouco mais complexo.

Compliquei?


*Precificar: ajustar o preço de ativos (ações de empresas, por exemplo).
**Ibovespa: índice calculado a partir de um conjunto de ações negociadas na bolsa de valores de São Paulo.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Postagem inaugural!

Motivos econômicos desencadearam guerras e a expansão na qual o Brasil foi "descoberto". Um professor já me disse que a "história do mundo pode ser contada pela história das guerras", não discordo dele, mas a história do mundo também pode ser contada pelo viés da história da economia, afinal, as "guerras tem motivações econômicas".

Mas não diferente da história, o nosso cotidiano é afetado frequentemente por políticas cambiais, crises especulativas, flutuações no preço do ouro ou em ações em bolsas de valores, até uma chuva na China pode trazer consequências economicas no nosso cotidiano.

Sim, uma borboleta bate as asas e um furacão é formado no outro lado do mundo, assim é a economia, interligada, globalizada antes mesmo da globalização.

O início do blog é, não à toa, coincidente com matrícula no curso de economia, portanto não terei vergonha de mudar minhas opiniões durante os próximos quatro anos, aliás, espero ter a personalidade necessária para assumir meus erros e aprender com eles por toda a minha vida.

Espero que possamos descomplicar a economia, para que estejamos prontos para muitas borboletas batendo as suas asas...